sábado, 12 de maio de 2012

O irmão mais velho do pródigo, perdido dentro da igreja



Jesus contou três parábolas sobre a alegria do encontro: A ovelha perdida que foi encontrada; o pastor chama todos para se alegrarem. A moeda perdida que foi encontrada; a mulher chama seus vizinhos para se alegrarem. O filho perdido que voltou para casa; o pai oferece uma festa e se alegra. Nessas três parábolas, a única pessoa que não está alegre e feliz é o irmão mais velho do pródigo.

No meio dessa festa do encontro, do resgate, da salvação, há uma voz que destoa. O filho mais velho está triste porque o pai recebeu o filho pródigo com alegria. O filho mais velho está irado porque o pai é misericordioso. O filho mais velho está do lado de fora, enquanto o filho pródigo está dentro da casa do pai.

Existe um grande perigo de se estar na casa do Pai, dentro da igreja, e ainda estar perdido. Esse filho, na parábola contada por Jesus, representa os escribas e fariseus, que se consideravam santos e desprezavam os outros. Esse filho representa aqueles que estão dentro da igreja, obedecendo a leis, cumprindo deveres, sem se enveredar pelos antros do pecado, pelos corredores escuros do mundo e que, ainda assim, estão perdidos.


Vive dentro da igreja, mas desobedece aos dois principais mandamentos da Lei de Deus


Jesus ensinou que os dois principais mandamentos da lei são amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo. Esse filho quebrou esses dois mandamentos: ele nem amou a Deus, representado pelo pai, e nem o seu irmão. Ele não perdoou o pai por haver recebido o filho pródigo, nem perdoou o irmão pelos seus erros. Há pessoas que estão na igreja, mas não têm amor por Deus nem pelos perdidos. Estão na igreja, mas não amam os irmãos. Sem amor, nossa fé é vazia. Sem amor, nossos dons são inúteis. Sem amor, nossas obras são desprovidas de valor. O amor é a evidência do discipulado. O amor é a apologética final. Não nos tornamos conhecidos como discípulos de Cristo pelo conhecimento, mas pelo amor. Não provamos nossa conversão pelo discurso rebuscado, mas pelo amor ao próximo, pois aqueles que não amam nunca viram a Deus e ainda permanecem nas trevas. O amor não é apenas um sentimento, é uma atitude.


Vive dentro da igreja, mas esta confiado na sua própria justiça


O irmão do filho pródigo era veloz para ver o pecado do seu irmão, mas não enxergava os seus próprios pecados. Ele era cáustico para condenar o irmão, enquanto via a si mesmo como o padrão da obediência. Os fariseus definiam pecado em termos de ações exteriores, e não atitudes íntimas. Eles eram orgulhosos de si mesmos. Como o profeta Jonas, esse filho mais velho obedecia ao pai, mas não de coração. Ele trabalhava com intensidade, mas não por amor. Há muitas pessoas que estão na igreja, mas cujo coração está duro como uma pedra. vivem no reduto evangélico, mas são duras no trato. Trabalham na obra, mas são motivadas pelo egoísmo. Obedecem aos preceitos externos da lei, mas nada conhecem acerca do espírito da lei. São peritas em guardar preceitos e mais preceitos, mas não passam no teste dos relacionamentos. Preferem esmagar os fracos a dar-lhes uma chance de restauração. Preferem esmagar a cana quebrada a tratar os feridos com sensibilidade. Preferem apagar a torcida que fumega a alimentar as chamas do amor e investir na vida das pessoas. Vivem na casa do Pai, mas não conhecem o coração do Pai.


Vive dentro da igreja, mas não é livre



Ele não vive como uma pessoa livre, mas como um escravo. É um jornaleiro, e não um filho. Pega pesado na labuta, mas não desfruta daquilo que pertence ao pai. É dono de tudo, mas não usufrui de nada. É herdeiro do pai, mas sente-se como um escravo. A espiritualidade desse filho mais velho é timbrada por um legalismo doentio. Sua religião é rígida. Ele obedece por medo ou para receber elogios. Faz as coisas certas com a motivação errada. Sua obediência não provém do coração. Ele anda como um escravo (Lucas 15:29). O verbo grego que aparece no texto é douleo, que significa "servir como escravo". Ele nunca entendeu o que é ser filho. Nunca usufruiu nem se deleitou no amor do pai. Servir ao pai, para ele, é um peso, um fardo, uma obrigação pesada. Ele vive sufocado, gemendo como um escravo. Está na igreja, mas não tem prazer. Obedece, mas não com alegria. Está na casa do Pai, mas vive como escravo.


Vive dentro da igreja, mas está com o coração cheio de amargura


Vamos destacar alguns pontos:

Em primeiro lugar, ele tem um complexo de santidade. Por isso rejeita os marginalizados (Lucas 15:29,30). Ele estava escorado orgulhosamente em sua religiosidade, arrotando uma santarronice discriminatória. Só ele presta; o pai e o irmão estão debaixo de suas acusações mais veementes. Sua mágoa começa a vazar. Para ele, quem erra não tem chance de se recuperar. O seu vocabulário não tem a palavra perdão. Na sua religião, não existe a oportunidade de restauração.

Em segundo lugar, ele se sente injustiçado pelo pai. Acusa o pai de ser injusto com ele só porque perdoou o irmão. Na religião dele não havia espaço para a misericórdia, o perdão e a restauração. Ele se achava mais merecedor que o outro. Sua religião estava fundamentada no mérito pessoal, e não na graça. É a realidade da lei, do legalismo, e não da graça nem da fé que opera pelo amor.


Em terceiro lugar, ele não perdoa nem restaura o relacionamento com o irmão (Lucas 15:30). Ele não se refere ao pródigo como irmão, mas diz: esse teu filho. A Bíblia diz que quem não a seu irmão até agora está nas trevas (1 João 2:11). Ele desconhece o amor. Ele vive mergulhado no ressentimento. Ele vê seu irmão como um rival. Na sua espiritualidade não há espaço para o perdão. No seu coração não há lugar para celebrar a restauração do caído. Para ele, não existe recuperação para o caído, não existe festa para o que retorna ao lar.


Em quarto lugar, o ódio que ele sente pelo irmão não é menos grave que o pecado de dissolução que o pródigo cometeu fora da igreja (Gálatas 5:19-21). Quando trata das obras da carne, a Bíblia fala sobre três pecados na área da imoralidade e nove na área de mágoa, ressentimento, ira. A falta de amor é um pecado tão grave como o pecado da vida imoral e dissoluta. Jesus disse que os publicanos e pecadores vão preceder os escribas e fariseus no reino dos céus. Isso porque, ao serem confrontados, aqueles se arrependem, mas os que se orgulham de sua justiça não se sentem pecadores e pensam que nada têm de que se arrepender.

Em quinto lugar, o ressentimento o isola do pai e do irmão. Quando uma pessoa guarda ressentimento no coração pelo irmão que falhou, perde também a comunhão com o Pai. Ele se recusa a entrar, fica fora da celebração. Mergulha num caudal de amargura. Ele diz para o Pai: esse teu filho. Mas o Pai o corrige e lhe diz: esse teu irmão (Lucas 15:30-32).



Vive dentro da igreja, nas presença do Pai, mas anda solitário


Ele anda sem alegria, sem amor, sem prazer. Vive na casa do pai, mas sente-se escravo. Está na casa do pai, mas não tem comunhão com ele. Quantos estão na igreja, mas nunca sentem o amor de Deus, a alegria da salvação, o prazer de pertencer a Jesus, a doçura do Espírito Santo. Vivem como órfãos: sozinhos, curtindo uma grande solidão e insatisfação dentro da casa do Pai. Quantas pessoas não têm amigos na igreja. Não se relacionam. A única coisa que sabem fazer é acumular cargos e mais cargos, assumir compromissos e mais compromissos, confundindo ativismo religioso com piedade. Precisamos entender que a nossa maior prioridade não é fazer a obra de Deus, mas ter intimidade com o Deus da obra. O Deus da obra é mais importante do que a obra de Deus. Ter comunhão com o Deus da obra é mais importante do que fazer a obra de Deus, porque Deus estão mais interessado em quem nós somos do que no que nós fazemos. Trabalho para Deus sem vida com Deus não agrada o coração de Deus.


Vive dentro da igreja, mas não se sente dono do que é do Pai



Ele era rico, mas estava vivendo na miséria. Muitos hoje estão vivendo um cristianismo pobre. Vivem sem alegria, sem banquete, sem festa na alma, só trabalhando e servindo. Deus tem uma vida abundante (João 10:10); Deus tem rios de água viva (João 7:38); Deus tem as riquezas insondáveis do evangelho (Efésios 3:14); Deus tem a suprema grandeza do seu poder (Efésios 1:19); Deus tem a paz que excede todo o entendimento (Filipenses 4:7); Deus tem alegria indizível e cheia de glória (1 Pedro 1:8); Deus tem vida de delícias para a sua alma. Esse filho não tem nenhum proveito na herança do pai. Ele nunca fez uma festa. Nunca celebrou com seus amigos. Nem sequer um cabrito ele comeu. Nunca saboreou as riquezas do pai. Ele não tem comunhão com o pai: é como Absalão, está em Jerusalém, mas não pode ver a face do rei. Ele está na igreja por obrigação. Ele não toma posse do que é seu. É como o homem que fez um cruzeiro de navio e levou o seu lanche. Vendo as pessoas comendo os pratos mais deliciosos, guardou dinheiro para comer uma boa refeição no último dia. Só então ficou sabendo que todos aqueles banquetes já estavam incluídos na passagem.

O mesmo pai que saiu ao encontro do filho pródigo para abraçá-lo sai para conciliar este filho (Lucas 15:31). O remédio para este filho é o mesmo do outro: confessar o seu pecado. Mas ele ficou do lado de fora. Perdido dentro da casa do pai. Não fique do lado de fora. Venha e desfrute da festa que Deus preparou!




do livro - Com Jesus na Escola da Vida / Hernandes Dias Lopes









Deus te abençoe!



Um comentário:

  1. Ótima reflexão,é verdade quantas pessoas estão dentro da igreja se dizem "crentes" mas não amam a Deus sobre todas as coisas e nem o próximo como a si mesmas.
    Parabéns pelo blog muito abençoado,se puder visite o meu,deixe um comentário dizendo o que achou se tiver tempo.
    palavrasdeumagarotaincomum.blogspot.com
    God bless you!

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